‘Só mais um episódio!’: O vício nas sagas e séries de TV

Quando sai o último episódio da temporada da sua série favorita, o que você faz? Deixa de sair de casa porque não pode perder de jeito nenhum o desfecho da trama? Fica nervoso só em pensar que vai ter que esperar meses para assistir à próxima temporada? Briga com amigos para defender seu personagem favorito? É… Você pode estar viciado em séries.

Mas o que de fato é vício? Vício é um hábito repetitivo que degenera (altera as qualidades) ou causa algum dano ao viciado e aos que convivem com ele. Existem vários tipos de vício: em bebidas, comidas, jogos e, no caso do assunto em questão, séries.

Um estudo realizado pela empresa alemã Neuromarketing Labs, encomendado pela Vodane e Fox, revelou que séries como The Walking Dead, Breaking Bad, The Big Bang Theory, Game of Thrones, The Vampire Diaries, entre outras, provocam sintomas físicos de dependência semelhantes aos demonstrados por viciados em droga.

Para o experimento, foram analisados atividade cerebral, frequência cardíaca, temperatura corporal, fluxo de sangue, níveis hormonais e taxa de movimento dos olhos de 75 voluntários com idades entre 18 e 47 anos antes e enquanto assistiam a suas séries favoritas.

As reações dos espectadores foram além do que os pesquisadores esperavam: os voluntários experimentaram aumento da sudorese, de batimentos cardíacos e uma respiração frenética. E o mais surpreendente: quando se afastavam a TV, experimentavam uma diminuição da temperatura corporal, o que, segundo o diretor do estudo, é uma reação semelhante à que os viciados em cocaína manifestam quando lhes é mostrado e depois retirado um pacote com a substância.

Segundo o estudo, os voluntários reagiram da mesma maneira independente do gênero da série, seja para uma comédia ou um horror. De acordo com o documento, os espectadores demonstraram preferência pelas que despertam fortes emoções, sejam elas positivas ou negativas. A análise hormonal mostra que o efeito é geralmente calmante, mesmo em cenas de terror.

Um anônimo comentou o estudo: “Eu queria entender porque sentimos uma forte ligação com os personagens das séries, é como se conhecêssemos e convivêssemos com eles diariamente, e quando desaparecem da série parece que perdemos um amigo”, revelou.

Comentários como esse não são incomuns. Algumas pessoas se tornam viciadas em séries simplesmente porque acreditam encontrar nelas um escape para solidão ou uma forma de distração. O que essas pessoas não percebem é que acabam se excluindo do convívio social e das atividades diárias para ficar em casa e passar horas em frente a uma TV. Mas é sempre bom lembrar que tudo tem limites e, quando nossas atitudes começam a ser prejudiciais, é bom repensá-las.

O perigo das sagas e séries de TV

Há muito tempo ouvimos acerca de quão nocivo é o conteúdo apresentado nas programações televisivas. Na verdade, o que anteriormente era disseminado de forma oculta, hoje é exposto abertamente sem nenhuma preocupação com os efeitos causados na sociedade. De fato, o que constatamos é um maligno propósito de provocar dano às famílias, destruir valores morais, princípios éticos e eliminar Deus ou o temor d’Ele dos corações dos telespectadores.

Nesse contexto, sabemos que as novelas se constituem num dos grandes veículos de disseminação de toda sorte de males que são produzidos no reino das trevas, aliados aos programas de entretenimento e reality shows de uma forma geral.

Apesar da triste realidade em que muitos crentes ainda se encontram, acorrentados a essa situação, sempre há aqueles que buscam evitar esse tipo de destruição em seus lares e, para fugir da influência negativa da programação aberta, optam pela contratação dos pacotes televisivos por assinatura. Existem também os que preferem eleger seu próprio conteúdo por meio dos sites streaming— fluxo de mídia, como meio de transmissão de dados na internet.

O problema é que essa migração para outras fontes tem gerado outras “dependências”! Muitos telespectadores cristãos, a fim de fugirem das novelas, acabaram tornando-se presas fáceis de outros meios de programação, entre eles as famosas sagas e seriados.

É bem verdade que nem todas as séries apresentam conteúdo ofensivo, mas, sabendo que Satanás não dorme, já é possível verificar que muitas pessoas têm sofrido forte influência de algumas sagas. Há registros de um considerável aumento pela busca do ocultismo, da bruxaria e Wicca como consequência do sucesso da saga Harry Potter. Sabe-se também de casos em que jovens começaram a praticar vampirismo depois de se tornarem assíduos fãs da saga Crepúsculo.

O que o Brasil consegue produzir em telenovelas, exportando seu conteúdo destrutivo para diversas partes do mundo, os EUA têm alcançado por meio das sagas e séries de TV. Apresentando desde os costumes mais abomináveis praticados na Roma antiga, passando pela apologia ao assassinato, à produção e ao consumo de drogas, adultério, à prostituição, ao homossexualismo, ocultismo, à criminalidade e a toda sorte de ilegalidade e ataques aos princípios que regem uma sociedade saudável, os seriados, hoje, encontram-se disponíveis não apenas nos canais por assinatura, mas também nos sites de filmes online e, ainda, na programação semanal de alguns canais de TV aberta.

Como consequência, temos uma geração de “viciados” em séries e sagas de todas as idades. Sabemos que os seriados não são uma novidade. Há muitos anos são produzidos programas que foram e até hoje são assistidos por milhares de pessoas em todo o mundo. O problema é que à medida que a quantidade de espectadores aumenta, o nível de moralidade, pureza e valores contidos nesses seriados diminui. Não erremos, a Palavra de Deus nos adverte: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam”.

Ev. André Alencar

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* Publicado originalmente no Adnews 35 (Fevereiro/2015). 

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