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Pessoa ou sociedade com deficiência?

Pessoas com características diferentes das consideradas normais, em vários aglomerados sociais, eram desprezadas, desconsideradas, e, em alguns casos, mortas. Foi assim quando colonizadores europeus dominavam povos em outros continentes, a exemplo do Brasil. E também quando Hitler dizimou judeus e pessoas com alguma anomalia na Alemanha e países por ele dominados. O alvo do preconceito não acontecia apenas no âmbito dos costumes. Pessoas com deficiência física, ou intelectual, sofreram por vários séculos. Sofreram ou sofrem? Passado ou presente? Foi ou é?

Esta realidade tem sido modificada. Contudo, apenas em 1992 a Organização das Nações Unidas (ONU) institui u o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que passou a ser comemorado todo dia 03 de dezembro. Conforme a ONU, aproximadamente 10% da população mundial possui alguma deficiência. É imprescindível ressaltar que “as pessoas com deficiência não são menos capacitadas e, assim como todas as outras, possuem direitos e deveres assegurados”, declarou o senador Romário Faria.

No Brasil, segundo o Decreto Nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, a deficiência pode ser definida como “toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano”. Com isso, é possível encontrar e classificar as deficiências em: auditiva, visual, mental ou múltipla (quando mais de um desses tipos é encontrado em uma mesma pessoa).

Para Arão Junior, deficiente visual que nasceu com uma lesão no nervo ótico, causado pela rubéola de sua mãe durante a gravidez: “É de suma importância à criação desta data para fazer as pessoas pararem e refletirem ao menos uma vez no ano. Hoje é comigo, mas amanhã pode ser com você, com um amigo nosso. A prevenção é necessária. É importante ir a consultas médicas, cuidar mais de si, para evitar anomalias orgânicas que possam causar algum tipo de lesão definitiva no seu corpo”.

Arão é funcionário público e como hobby busca melhorar a vida da população com deficiência, como por exemplo, solicitar sinais sonoros a entidades públicas em alguns pontos da cidade em que vive. “A gente aproveita essa data para promover eventos nas associações, para conscientizar a pessoa com deficiência e sua família sobre seus direitos e, com isso, usufruam de uma vida melhor, apesar das diferenças, elas se tornam mínimas quando as pessoas se engajam em seus projetos”, finalizou.

Apesar do reconhecimento da ONU e criação do dia Internacional das Pessoas com Deficiência, muitas barreiras precisam ser derrubadas para melhorar as condições vivenciadas, especificamente, por esse grupo correspondente a um décimo da população do mundo.

Enfrentar o tão conhecido preconceito é apenas uma das dificuldades. Embora boa parte da população não note, rampas no começo e fim da extensão de uma calçada fazem toda a diferença para pessoas com baixa mobilidade. Uma calçada com buracos, fendas ou lixo pode inviabilizar a passagem de um cadeirante. Assim como sinais sonoros, placas em braile e pisos táteis contribuem para um deficiente visual ter independência. Pessoas com deficiência auditiva, intelectual e múltipla precisam igualmente de ações que contribuam com o direito de ir e vir.

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* Publicado originalmente no Adnews 45 (Dezembro/2015)