Rute, um exemplo da lealdade feminina

Imagem de Sandy Freckleton

Vivemos em um mundo individualista, no qual a verdadeira amizade e o companheirismo não são tão comuns às pessoas. Na Bíblia Sagrada encontramos a história de Rute, uma moabita que amou sua sogra hebreia, Noemi, a ponto de abrir mão dos seus próprios interesses para dar-lhe o bem estar.

Por causa de um período de fome na terra em que estavam, Noemi, seu esposo Elimeleque e os filhos viajaram da cidade de Belém para Moabe. Passados alguns anos, o marido e os filhos morreram e Noemi ficou sozinha com suas noras, Rute e Orfa. Ao ouvir que a fome em Belém havia passado, resolveu voltar para sua terra natal. Ela insistiu para que suas noras voltassem para suas famílias, onde estariam livres para se casarem novamente, porém, tanto Rute quanto Orfa desejaram ficar com ela.

Após uma despedida comovente, Noemi convenceu Orfa a voltar para casa; Rute, entretanto, não cedeu. Nessa mistura de culturas, históricos familiares, relacionamentos nora e sogra, que provavelmente tiveram momentos de tensão como também de ternura, ainda assim estavam ligadas uma à outra. Rute não acompanhou Noemi por aquilo que ela poderia lhe oferecer, mas sim, pela força do sentimento de amizade que prevaleceu.

Segundo o dicionário Aurélio, amizade é um sentimento fiel de afeição, estima ou ternura entre pessoas que em geral não são parentes nem amantes. Rute externou sua amizade profunda e duradoura por Noemi em meio às dificuldades, renunciando a sua liberdade e decidindo viver ao lado da sogra até a morte.

Independente da situação pela qual poderiam passar, Rute decidiu basear seu relacionamento em lealdade e compromisso (Rt 1.16,17), deixando a lição de que o valor da amizade está no que o indivíduo é, e não naquilo que ele tem.

Destacando-se na história como modelo de caráter feminino, Rute dispõe-se, com alegria e confiança, a romper com seu passado, sua herança cultural, e passar o resto da vida como estrangeira ao lado de sua sogra. Seu voto a Noemi é uma das declarações mais belas de companheirismo, amizade e compromisso da história. “[…] Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16). Amizades duradouras são alicerçadas em Deus, pois Ele demonstra amor incondicional, lealdade perene e compromisso imutável.

Rosângela de Medeiros

Professora

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* Publicado originalmente no Adnews 08 (Agosto/2012). 

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