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Músicos cristãos, porque é preciso se santificar

A música é algo que está presente em praticamente todas as áreas de nossas vidas. Mesmo no ventre, é possível constatar como os bebês podem reagir a estímulos sonoros como, por exemplo, canções cantadas pelos pais ou captadas através da presença da mãe em ambientes sonorizados. É difícil imaginar um mundo sem música, principalmente quando analisamos o propósito de Deus ao criar o homem. Quando o Senhor o estabeleceu como coroa da criação, tinha como objetivo estender à terra algo que já era praticado no céu: a adoração.

Sem dúvida, quando falamos sobre adorar a Deus, vemos que a música está associada a essa prática imprescindível em nosso relacionamento com o Eterno. No Antigo Testamento encontramos prescrições divinas muito específicas para os levitas que, além de cuidarem dos utensílios sagrados, também estariam a cargo de louvar, visto que na Aliança passada o louvor era visto como um ministério.

Apesar de sabermos que na Nova Aliança, biblicamente não existe, na classe dos dons ministeriais, um ministério específico de louvor (Ef 4.11-16), contudo, verificamos que a Igreja, de uma forma geral, é vista como um sacerdócio real e na celebração do culto que prestamos a Deus, vemos que a música está presente na descrição bíblica neotestamentária (1Co 14.26).

Tudo isso nos leva a refletir sobre a importância que a Palavra de Deus dá a música. Diante desta realidade, não é difícil entender que aquele que participa do louvor, especialmente o músico, tem sobre si uma grande responsabilidade.

Muitos questionam se um músico cristão poder ou não exercer suas habilidades no meio secular. Há quem diga que trata-se de uma atividade como outra qualquer. No entanto, sem querer prender-se a questões polêmicas, é possível constatar sem muito esforço que a atividade do músico na Igreja é, antes de tudo, devocional. Só pode adorar verdadeiramente, quem vivenciou o perdão dos pecados e a regeneração!

Os princípios que regem o louvor oferecido a Deus estão intrinsecamente ligados à santificação de quem o exercita, tanto no cântico como no uso de instrumentos. Sendo assim, todo o crente que atua na esfera musical precisa entender que sua vida exige consagração a Deus. Afinal, o músico adorador está envolvido em uma atividade que já existia antes mesmo do homem ser criado! E por essa razão, a música na Igreja não pode ser vista como uma atividade qualquer que existe em função da existência humana. O músico cristão toca para Deus, porque Ele merece o melhor de nosso ser. Por que é preciso compromisso, santificação e dedicação do músico? Porque Deus não divide o que é seu com o mundo! Não precisa ser extravagante. Não precisa ser uma celebridade. Basta ao músico ser santo.

Ev. André Alencar

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* Publicado originalmente no Adnews 56 (Novembro/2016)