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Exercitando a Paciência

 

Exercer a paciência nos dias atuais não é tão fácil, só com a ajuda do querido Espírito Santo. Ele, sim, pode fazê-lo possível. O verdadeiro cristão, para exercer a paciência, fruto do Espírito, deve estar em contínua comunhão com o Senhor, pois às vezes, em pequenas coisas, deixamos de praticá-la.

Podemos exercer a paciência em três direções, que são:

1-Exercer a paciência em relação aos propósitos de Deus em sua vida.

2-Exercer a paciência com você mesmo.

3-Exercer a paciência em relação ao próximo, ou seja, nos relacionamentos interpessoais.

Exercer a paciência em relação aos propósitos de Deus em sua vida. Podemos afirmar que, na vida de cada crente, Deus tem um plano, um propósito, uma chamada. Só que esses propósitos não se cumprem do dia pra noite, nem em um piscar de olhos, nem muito menos quando queremos que seja cumprido. Depende do querer de Deus na vida de cada indivíduo. E é aí que se percebe a diferença entre os que exercem a paciência e a perseverança, visto que essas duas virtudes não se separam; andam de mãos dadas. Podemos compreender melhor e ter como exemplo a história de José (Gn 37). Deus revelou Seus propósitos através de sonhos, quando ele ainda morava com sua família, e muitas coisas aconteceram. Ele foi invejado por seus irmãos, vendido, caluniado, padeceu na prisão. Não se sabe o que se passou na mente de José. Toda a situação que José estava vivendo e todas as adversidades pelas quais ele estava passando nos levam a pensar: será que quando ele estava na prisão não se lembrou dos sonhos que teve na sua juventude? Será que pensou no cumprimento deles? De uma coisa temos certeza: ele não desistiu, exerceu a paciência, foi perseverante e fiel a Deus e obteve a vitória.

Exercer a paciência em relação a nós mesmos vai além da compreensão humana, não somos capazes de produzir o fruto do Espírito por conta própria, pois ele emana do trono de Deus. Eis um desafio: conviver diariamente com nossas limitações. É o negar-se, renunciar a si mesmo e seguir a Cristo. Muitos pensadores e estudiosos dizem que, quando exercitamos a paciência, não estamos sendo nós mesmos, estamos nos escondendo. Mas, na contramão dos pensadores e estudiosos, está a palavra de Deus, que nos adverte e nos ensina a ter comunhão com Ele e a exercer, assim, o fruto do Espírito, a paciência (Gl 5.22).

Exercer o fruto do Espírito em relação ao próximo. A paciência como fruto do Espírito é essencial para o crente em seus relacionamentos. Pois muitas vezes precisamos exercê-la na educação dos filhos, mantendo o equilíbrio do amor e também da disciplina, no relacionamento conjugal, em que o marido e a esposa precisam exercê-la para preservar o amor. E entre os mais chegados, pois nenhum relacionamento tem êxito se não houver longanimidade no coração. Provérbios 14.29 diz: “O longânimo é grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura.” O longânimo não tira conclusões precipitadas das situações, antes procura entender os dois lados da situação; ele não será controlado pela situação, ele exerce o perdão, é apaziguador. O fruto espiritual, quando produzido na vida do crente, tem o poder de mudar as situações.

Nós que esperamos a vinda de Cristo devemos, a cada dia, exercer o fruto do Espírito, tendo a certeza de que um dia Ele voltará para buscar a sua Igreja. “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação e perseverai na oração” (Rm 12.12).

Keila Gouveia

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* Publicado originalmente no Adnews 22 (Dezembro/2013)