Entrevista ADNews julho – Irmã Cristhiane Alves

Na edição do ADNews – nº 40 – julho de 2015, entrevistamos a Ir. Cristhiane Alves, esposa do Pastor Ailton Junior, vice-presidente da IEADPE, e vice-coordenadora dos Círculos de Oração em Pernambuco.
Abaixo, você confere a entrevista completa, que reduzimos no jornal impresso devido ao espaço disponível.

“Quero ser útil ao Senhor, enquanto viver”

Conte-nos um pouco da sua infância. A senhora nasceu em um lar evangélico?
Sim, pela misericórdia de Deus, nasci numa família que vem há três gerações servindo ao Senhor: meu bisavô (o pai de minha avó materna) era pastor da Assembleia de Deus, bem como meu avô materno, e meu pai. Sinto-me muito privilegiada por isto, pois creio firmemente que desfruto das bênçãos prometidas pelo Senhor aos que O temem, que são extensivas às suas gerações posteriores (Dt 7.9). Cresci num ambiente cheio da palavra de Deus, de louvores ao Senhor, pois todos os dias, exceto aos domingos, fazíamos o culto doméstico, e assim fui ensinada nos caminhos do Senhor. Louvo a Deus por meus pais, Pr. Joel e ir. Dinah, que me deixaram a mais preciosa de todas as heranças: o temor de Deus. E por minhas amadas cinco irmãs (Kézia, Keila, Joelma, Adna e Hadassa) com as quais cresci, louvando e servindo ao Senhor.
Dois dos principais desafios da juventude é decidir que carreira seguir e quem é a pessoa certa para se casar. Como foi a escolha da sua profissão e casamento?
Cursei eletrônica na ETFPE (Escola Técnica Federal de Pernambuco) entre 1989 e 1993. Era um curso muito bom, mas, ao final, percebi que não me sentia vocacionada para aquela área. Foi justamente após concluir este curso que comecei a namorar com meu esposo (Pr. Ailton Junior). Eu o conheci aqui no Templo Central mesmo, após o retorno de sua família do campo de missões da Argentina. Ele participava de um programa de rádio infantil com uma de minhas irmãs (Kézia), e assim nos tornamos amigos, quando eu tinha uns treze anos. Sempre conversávamos muito sobre a palavra de Deus, Sua obra e sobre bons livros cristãos. Depois ele foi morar no interior, e nos víamos apenas nas Santas Ceias. Quando eu estava com dezessete anos, ele declarou o sentimento que tinha por mim, o que me deixou muito surpresa, sem saber o que responder, pois gostava muito dele, mas como um grande amigo, quase um irmão. Pedi-lhe tempo para orar, e após quinze dias, ele voltou para saber a resposta. Fui sincera com ele, e disse-lhe exatamente o que sentia. Mas ele não desistiu: ficou um tanto desapontado, mas disse-me que seu coração estava nas minhas mãos, e que eu fizesse dele o que quisesse. Passamos, então, quase um ano sem contato, cada um em seu lugar orando para que o Senhor fizesse Sua vontade. Até que em janeiro de 1993 comecei a lembrar-me dele repentinamente, de uma forma diferente: sentia saudade dele, e no coração me perguntava que sentimento estranho era aquele. Em março de 1993, por ocasião do sepultamento de sua avó materna, a ir. Maria, nos encontramos no Templo Central, e aí não tive dúvidas do que estava sentindo por ele. Então, com a bênção de nossos pais, começamos a namorar, e um ano depois (março/1994), noivamos, tínhamos o mesmo desejo de dedicar nossa vida por completo ao Senhor, gostávamos dos mesmos assuntos, e nos completávamos em nossa personalidade. Desde o princípio ele me falava do chamado urgente de Deus em sua vida, e me perguntava se tinha desejo missionário. Claro que sim! Este era um anseio que eu nutria desde os doze anos. Mas enquanto aguardávamos o momento de Deus para isto, seguíamos estudando e trabalhando.
Tentei vestibular para Direito, na UFPE, embora ainda não tivesse convicção de seguir essa carreira. Tive uma nota razoável, mas insuficiente para o curso, então fiz a opção por Ciências Sociais, do mesmo grupo. Cursei um semestre e meio, e logo percebi que ainda não era o que eu queria. Só então, resolvi ir para uma área pela qual sempre me interessei: Letras. Prestei vestibular no final de 1994 para Letras e passei na primeira fase, mas nem pude fazer a segunda, pois justamente nessa época, já noiva, soube que iríamos ao campo de missões, logo após o casamento, que ocorreu em março de 1995. Tive que adiar a realização de meu curso superior por uma causa muito mais nobre, que foi fazer a vontade de Deus naquele momento de minha vida, agora ao lado de meu esposo. Somente após voltarmos da Argentina, já tendo minha filha Deborah quase cinco anos, é que fiz vestibular, de novo na UFPE, e passei para o curso de Letras, o qual conclui em 2006, para a glória de Deus.
Ainda recém-casada, sua família foi enviada à obra missionária na Argentina. Como foi essa experiência? Qual o fato mais marcante dessa época?
Sim, um mês após casarmos, fomos enviados pela igreja ao campo de missões na Argentina, para a província de Mendoza. Foi um grande desafio para nós, jovens recém-casados, distanciar-nos da família, da igreja e dos amigos para irmos a uma terra longínqua (ficava cerca de 1200 km ao oeste de Buenos Aires), para dar início ao trabalho em Godoy Cruz. Para mim, foi mais difícil, pois tive que me adaptar ao idioma e ao clima frio, e nos primeiros meses, sentia muitas saudades de minha família. Mas logo que fui me envolvendo nos trabalhos de evangelização de crianças, louvor e oração com as irmãs, visitação aos lares, a dor inicial foi sendo amenizada. Passamos por experiências muito fortes: logo nos primeiros meses, fomos assaltados em nossa casa, enquanto fazíamos evangelismo de crianças. Fazíamos o trabalho num bairro um tanto difícil, e pouco tempo depois, várias vezes nosso carro foi arrombado. Também levaram o equipamento de som da igreja e faziam ameaças constantes de que voltariam a nos atacar. Mas em meio a essas circunstâncias, o Senhor abençoava Sua obra, salvando vidas, curando enfermos, libertando os oprimidos pelo diabo. Percebíamos que eram tentativas de nos fazer parar, mas prosseguimos, e o Senhor abençoou aquele trabalho, para a exclusiva glória de Seu nome!
Missionária, esposa do vice-presidente da IEADPE e vice-coordenadora dos Círculos de Oração em Pernambuco. Em que momento da sua vida percebeu os propósitos de Deus para o seu futuro?
Na verdade, jamais pensei que o Senhor me daria tamanho privilégio de servir-Lhe em todos esses trabalhos. De fato, só me entreguei para ser útil na obra de missões, até pensei, quando fui para a Argentina, que não voltaria mais para o Brasil. Mas o Senhor tem os Seus caminhos, e nós somos apenas Seus servos, para fazer o Seu querer. O Senhor fez tanto por nós… não podemos nos negar para a necessidade de Sua obra aqui na terra. Sempre me tocou muito um hino durante minha infância e adolescência: “A minha vida eu entrego a Deus/ Pois o Seu Filho a entregou por mim/ Não importa aonde for/ Seguirei meu Senhor/ Sobre terra ou mar/ Onde Deus mandar/ Irei”. Esse é o meu sentimento sincero: quero ser útil ao Senhor, enquanto viver.
Quais os maiores desafios e também, alegrias de atender ao chamado do Senhor?
Penso que o desafio maior é a perseverança, é continuar fazendo o que nos manda o Senhor, mesmo enfrentando dificuldades, oposições, privações etc. Fomos chamados para batalhar pela fé, e como dizia A. W. Tozer, o mundo não é um parque de diversões para o crente, é campo de guerra. Temos que cada dia fortalecer-nos no Senhor e na força de Seu poder, a fim de resistirmos a tudo isso, e ficar firmes no propósito para o qual Deus nos convocou. Alegrias, sim, elas são constantes! Sempre temos motivos para regozijar-nos no Senhor! É um privilégio servir-Lhe, demonstrando-Lhe um pouco de nossa gratidão por tudo o que Ele fez por nós. Penso sempre no que disse Jesus: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi e vós e vos nomeei para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça…” (Jo 15.16). Aleluia!
Mãe de dois filhos e esposa de obreiro, como é conciliar a maternidade e a obra do Senhor?
Ah, é preciso depender muito da sabedoria divina, para poder cuidar bem da obra, sem descuidar da família, que é a primeira “obra” que o Senhor nos confia. Como diz a Bíblia, “a mulher sábia edifica a sua casa” (Pv 14.1). Antes de sair para atender os compromissos da igreja, procuro ordenar nossa casa, atender às necessidades de meu marido e dos meus filhos (Deborah, 18 anos, e David, 14 anos) e mesmo enquanto estou fora, trato de acompanhar de perto tudo o que está acontecendo. É assim que tenho aprendido com meus principais referenciais, minha mãe e minha sogra, duas servas do Senhor que sempre O serviram com fidelidade e ao mesmo tempo, dedicaram-se à criação de seus filhos. Acredito ser a maternidade uma responsabilidade muito especial que Deus concede à mulher; louvo ao Senhor por me ter concedido dois filhos maravilhosos, que me inspiram a cada dia ser uma mulher mais fiel ao Senhor. Pois, como disse certo autor, a maternidade/paternidade é uma condição santificadora: para darmos exemplo aos nossos filhos, precisamos andar certo, no temor do Senhor. Temos que exercer boa mordomia do lar que o Senhor nos entregou, e de igual modo, atender às responsabilidades que Ele nos confiar em Sua obra.

Em toda sua trajetória cristã, qual a experiência mais marcante?
Desde a infância, frequentei o Círculo de Oração Infantil, no qual sempre pedia ao Senhor que me batizasse com Seu Espírito Santo. Até que um dia, quando tinha doze anos, numa manhã missionária de um Congresso de Jovens, o pregador chamou à frente aqueles que queriam dedicar sua vida à obra do Senhor. Senti um forte impulso de fazê-lo, e fui à frente. Em poucos minutos de oração contrita, fui batizada com o Espírito Santo! Aleluia! Recebi esta dádiva divina como uma resposta afirmativa de Deus para minha entrega. Entendi naquele momento que Deus estava me convocando para viver totalmente para Ele. Também posso destacar uma cura divina que recebi quando tinha apenas 7 meses de vida: fui acometida de meningite, e desenganada pela medicina. Os médicos queriam me colocar no isolamento, mas meus pais assinaram o termo de responsabilidade e me levaram à casa de meus avós, onde ali fizeram uma oração por mim. Segundo minha mãe conta, eu chorava muito, jogando a cabeça para trás, mas logo após aquela oração, eu adormeci, e para a glória de Deus, até hoje estou de pé, sem nenhuma sequela daquela doença! Aos cinco anos de idade, por pouco não fui completamente atropelada por uma camionete (ela pegou apenas meu pé direito). O Senhor me deu estes livramentos, por isso, entendi que Ele tinha um propósito para me deixar com vida.
Ser uma mulher cristã no mundo em que vivemos não é fácil. Em sua opinião, quais devem ser as características de uma mulher bela aos olhos de Deus?
Creio que é a mulher que busca possuir um espírito manso e quieto, que é precioso ao Senhor, como diz o apóstolo Pedro (1 Pe 3.4). A beleza exterior passa, mas a do espírito permanece e pode influenciar a outros que estejam ao redor. A mulher que põe sua confiança em Deus, e busca obedecer Seus preceitos, além de edificar-se a si mesma e encontrar propósito para sua vida, pode ser um instrumento de bênção para seu marido, seus filhos e para todos que a conhecem. Como diz Pv 31.30: “Enganosa é a graça e passageira a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada”.
Qual o seu conselho para as moças da igreja que apesar dos desafios, lutam para fazer a vontade do Pai Celestial?
Mantenham o firme propósito de em tudo agradar ao Senhor, satisfazer-se nEle e em Seu querer, e Ele que conhece os seus anseios mais profundos, há de suprir todas as suas necessidades (Sl 37.5). Creia que suas decisões, se dirigidas pelo Senhor, sempre resultaram na melhor escolha. Deus é bom, e só quer das coisas boas a seus filhos (Mt 7.11). Por isso, seja sempre fiel ao Senhor, a despeito de qualquer circunstância, e assim sempre desfrutarás a boa, agradável e perfeita vontade do Senhor para sua vida.

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