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Compositoras da Harpa Cristã: Sarah Poulton Kalley

Mulher dedicada à obra de Deus e que usou seus talentos para contribuir para o ministério para o qual Deus a separou! É assim que podemos descrever Sarah Kalley, autora e tradutora de muitos hinos de conhecidos hinários evangélicos, entre eles a Harpa Cristã.

Sarah Poulton Kalley nasceu no dia 25 de maio de 1825, em Nottingham, na Escócia. Filha de William Wilson e Sarah Morley, ela ficou órfã de mãe após 4 dias de seu nascimento. Algum tempo depois, seu pai casou-se com Eliza Read e, por problemas de saúde da mulher, a família precisou se mudar para Torquay.

Em sua nova cidade, Sarah estudou em um internato para moças e se destacou entre as demais alunas. Ela mostrava um talento incrível para música, como também para pintura e composição de poesias; além disso, falava fluentemente vários idiomas.

Desde cedo, Sarah mostrou interesse pelas coisas de Deus. Vendo sua facilidade para ensinar, seu pai, que era superintendente da Escola Dominical, confiou-lhe uma classe de rapazes na capela em que ele mesmo construiu em Torquay. Não se contentando apenas com o horário da escola, Sarah abriu uma classe noturna de conhecimentos gerais para ensinar os rapazes que não poderiam comparecer à aula por causa do trabalho.

Influente na Igreja, seu pai recebia muitas visitas de missionários em sua casa. Sarah se interessava em ouvir as histórias que contavam a dificuldade da missão no exterior e estudou uma forma de ajudar. Ela abriu um curso de costura para as moças da região, e toda a roupa confeccionada era enviada para a missão.

 

Casamento

Sarah foi casada com o missionário Dr. Robert Calley. O encontro dos dois não foi por acaso. Em 1851, Sarah viajou para a Síria com um de seus irmãos, Cecil Wilson, que sofria de tuberculose, para encontrar com Robert e começar um tratamento. Poucas semanas depois, seu irmão faleceu. Mas o pouco tempo que passou no país fez com que Sarah e Robert se tornassem amigos. A personalidade do Dr. Kalley e a forma como ele falava do campo missionário e explicava sobre a Bíblia conquistaram Sarah, e dessa amizade surgiu um grande amor. Os dois se casaram em dezembro de 1852, em Torquay. Juntos, o casal se uniu em um só propósito: a evangelização.

 

Obra missionária 

O casal foi para os Estados Unidos e, percebendo a carência espiritual do povo, realizou um trabalho missionário no país. Em 1855, eles chegaram ao Rio de Janeiro, alugaram uma residência e fundaram um salão de cultos onde eram realizados cultos para crianças, Escola Dominical e cultos evangelísticos. Durante esse período, sofreram muitas perseguições, por causada obra missionária.

 

Mulher versátil

Sarah realizava visita a famílias necessitadas, dirigia classes de música e de instrução geral, preparava sinopses para facilitar a composição dos sermões de seu esposo e traduzia, do inglês, livretos e folhetos que abordavam assuntos da vida diária relacionados com a vida eterna.

Sarah organizou a Sociedade de Senhoras, que oferecia estudos para as irmãs da igreja. Inaugurada em 11 de julho de 1871, o primeiro estudo bíblico teve como tema: O caráter de Eva, mãe da raça humana. Sarah também participou da organização do hinário Salmos e Hinos, que conta com duzentos hinos de sua autoria. Na Harpa Cristã, pode-se encontrar uma música de sua autoria original: Benigno Salvador, n° 195. No texto, consta a autoria do seu esposo Robert Kalley.

Como não podiam ter filhos, o casal Kalley, adotou duas crianças brasileiras: João Gomes da Rocha e Silvana Azara. Em 1876, eles deixaram o Brasil para morar em Edimburgo, onde construíram uma casa e deram-na o nome de Campo Verde, em homenagem ao Brasil.

Depois da morte do seu esposo, em 17 de janeiro de 1888, Sarah fundou a missão conhecida como Help for Brazil (Auxílio para o Brasil), com o objetivo de cooperar com as igrejas originadas do trabalho de seu esposo através do envio de obreiros.

Sarah Kalley faleceu em 08 de agosto de 1907 e foi sepultada junto a seu marido, Dr. Robert Kalley, amigo, pastor e companheiro na obra de Deus.

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* Publicado originalmente no Adnews 43 (Outubro/2015)