Até onde ir na onda das redes sociais?

Apesar de ser uma invenção recente, a internet ganhou um alcance gigantesco e as ferramentas de comunicação online se multiplicam a cada dia. Nomes como Instagram, Twitter, Facebook e Whatsapp são tão familiares à geração atual como Coca-Cola foi à anterior.

O YouTube, por exemplo, possui mais de um bilhão de usuários, quase um terço de todos os usuários da internet. E todos os dias, bilhões de horas de vídeos são acessadas na plataforma.

Existem vários tipos de canais no YouTube: generalistas, educativos, humorísticos, religiosos, culinários, jornalísticos, musicais, entre outros. Mas o internauta também pode encontrar conteúdos que incentivam a violência, o preconceito e a xenofobia. Com tantas oportunidades ao alcance da mão é preciso estar atento às armadilhas e às oportunidades.

Segundo o Especialista em Comunicação e Marketing para Mídias Digitais, Iran Pontes, o uso de ferramentas como o YouTube não é meramente passageiro, mas possui uma forte ligação com o marketing e com o lucro financeiro. Para ele, que também é fundador do Blog Design Culture e Coordenador do Curso de Design Gráfico da Faculdade IBRATEC em Recife, quem se interessa em ser youtuber ou blogueiro precisa antes de tudo se preparar, saber se o projeto pode ou não dar certo e não desistir. Iran explicou que antes de ser fundador de um Blog premiado no Brasil e no exterior, teve duas tentativas de blogs sem sucesso.

Para o especialista, a internet é um excelente meio de divulgação de marcas e pessoas, o que também abre portas para o ingresso no mercado de trabalho, novos relacionamentos e o desenvolvimento de novas habilidades. Mas ele destaca que alguns malefícios também podem ser produzidos, como o abandono da vida off-line, e questões relacionadas à privacidade e crimes cibernéticos. Por isso, o blogueiro sugere que os jovens fujam de canais, blogs e páginas que estimulem a violência, pornografia, depressão, vícios ou atitudes radicalistas.

A divulgação de conteúdo no YouTube envolve com frequência boas motivações, mas nem sempre o seu desenvolvimento é o adequado.  É muito comum publicarem vídeos repletos de opiniões pessoais sem conhecimento no assunto tratado. E como a espontaneidade é uma característica marcante de vários canais, se termina gravando algo diferente do planejado. Aí também mora o perigo, pois as ideias expostas pelos youtubers influenciam sutilmente o público, que muitas vezes não percebe. E se antes as opiniões eram formadas pela família, professores, instituições religiosas e mídia; hoje os influenciadores digitais ganharam espaço e podem ser enquadrados como formadores de opinião.

Para Iran, os formadores de opinião devem ser cautelosos, imparciais e terem cuidado com o que afirmam para não denegrir a imagem de outras pessoas ou serem processados por isso. Além do risco de difundir informações falsas.

Um ramo que está se desenvolvendo e tem ganhado cada vez mais atenção é o de canais evangélicos. Eles são usados como uma ferramenta para falar de Jesus ao público jovem e de tratar de temas comuns ao mundo evangélico. O influenciador digital cristão precisa pensar sobre o alcance que suas publicações têm e saber defender sua fé com convicção.

Tudo que está ligado à internet ainda é novidade e seu uso precisa ser feito com cuidado e moderação. Há claros benefícios, mas também malefícios atribuídos ao uso das novas tecnologias. O tempo dos cristãos nas redes sociais deve ser usado de forma sábia e a internet deve servir de instrumento para a propagação da glória de Deus através do testemunho fiel.  

OPINIÃO: Cristo é o modelo do jovem cristão

Nos últimos anos, o mundo vem assistindo a uma crescente onda de blogueiros, youtubers, e personalidades da internet extremamente jovens e com um volume de seguidores que causaria inveja a qualquer líder fanático de seita religiosa. De fato, no universo da Web pode-se encontrar tanto a bênção como a maldição. O problema é que, entre aqueles bem intencionados, encontram-se também os que, com frequência, cometem equívocos ao expressarem suas opiniões, em decorrência da pouca ou nenhuma experiência nos temas que procuram apresentar. Chega a ser preocupante como alguns destes “formadores de opinião” se aventuram a opinar sobre assuntos que não dominam o mínimo necessário para emitirem qualquer comentário. Vale destacar que cada “curtida” “like” ou compartilhamento dos que seguem este tipo de informação, promove a difusão de idéias que beiram o ridículo o absurdo!

Em realidade este fenômeno não é novo. A Bíblia nos apresenta, no primeiro livro dos Reis, alguém que comprometera seu futuro por não saber escolher corretamente a quem deveria dar ouvidos. Roboão era jovem e estava diante de uma grande responsabilidade. Seu pai falecera e, naquele momento, o novo líder tinha diante de si a tarefa de conduzir, nada mais nada menos que a nação de Israel (1 Re 12). O problema encontrava-se no fato de que Roboão, ao ser inexperiente, precisava ouvir as pessoas certas, a fim de decidir o melhor caminho para si e para o povo. Lamentavelmente, ele preferiu atender aos conselhos de seus “companheiros” jovens e como resultado, o reino terminou por dividir-se, havendo a maior parte seguido a Jeroboão, filho de Nebate, em um processo irreversível de idolatria. Deus havia predito esse acontecimento, mas o estopim foi a imprudência deste jovem.

Infelizmente, a sociedade de uma forma geral e, especificamente os jovens, têm cometido o mesmo erro. Ao seguirem páginas, blogueiros ou youtubers que, em muitos casos, expressam verdadeiras tolices, entram pelo mesmo caminho de Roboão e, comprometem suas decisões futuras por não atentarem para o referencial adequado.

Quando Cristo não é tido como paradigma, é fácil dar atenção a qualquer asneira que se propaga no mundo virtual. Mas se Jesus é o referencial, dificilmente alguém irá curtir, compartilhar ou seguir qualquer coisa que esteja fora do contexto da Sua Palavra. Afinal, quem conhece os princípios estabelecidos pelo Senhor, saberá examinar tudo, retendo apenas o que é proveitoso (1Ts 5.21).

Roboão provavelmente havia deixado de ver o pai como exemplo, em virtude da conduta pecaminosa de Salomão na velhice. Talvez isso o motivou a buscar conselhos no mais jovens, mas isso não justifica o erro. Quando temos Jesus como nosso exemplo maior e nos colocamos como seus verdadeiros seguidores, “curtiremos” e compartilharemos Sua Palavra mais do que qualquer outra coisa!

Ev. André Alencar

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* Publicado originalmente no Adnews 71 (Fevereiro/2018).