A hora certa de deixar os filhos crescerem

A hora certa de deixar os filhos crescerem nos fala sobre a necessidade de respeitar o momento do despertar de uma autonomia individual, singular, que desponta no desenvolvimento humano.

Respeitar esse momento significa deixar que, no instante em que a criança, em sua tenra idade, sinaliza resistência e força para iniciar sua defesa, ela siga sozinha, ou minimamente com ajuda dos pais. Pois a superproteção inibe o crescimento dos filhos. Nesse sentido, é importante que os pais sejam sensíveis para perceber o chegar dessa hora.

O homem normalmente passa por um conjunto de etapas ou fases: o nascimento, a infância, a adolescência, a idade adulta, a velhice e a morte. Com base nesse contexto, entende-se que os filhos nascem e percorrem as etapas naturais da vida.

Lembro-me de quando meu primeiro filho nasceu e tive algumas dificuldades; uma delas foi querer superprotegê-lo. Porém, fui orientada a, apesar de ele ser um frágil bebê, não agir com exageros. O excesso de cuidados pode atrapalhar o desenvolvimento psicoemocional da criança. “Quem controla e vigia cada passo do filho tem uma insegurança excessiva, e isso não é bom nem para a criança nem para a família”, opina a psicopedagoga Maristela do Vale.

É importante educar uma criança entendendo que o desenvolvimento da autonomia acontece aos poucos, independentemente dos pais quererem ou não. Não educamos nossas crianças para nós mesmos e o impedimento da realização de algumas atividades pelos pequenos, como por exemplo, engatinhar sozinho, pode atrapalhar.

Especialistas da área dizem que aos dois anos de idade seu bebê deixa de ser bebê, para se tornar uma criança e, para tal, deve executar algumas tarefas que parecem simples, mas dão trabalho para aprender, como: comer segurando a colher sozinho, largar a fralda, organizar os brinquedos após brincar, vestir peças de roupas sozinhos, calçar chinelos e sapatos. Isso gera autonomia com seus pertences pessoais. Cabe aos pais estimular essas e outras atividades paulatinamente. Infelizmente, muitas vezes, o filho cresce, e os pais não percebem.

“… É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. […] elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância” (Affonso Romano de Sant’Anna).

É importante lembrar que o crescimento é um processo natural, que, independentemente do querer ou não, ele acontece, trazendo junto novos desafios e benefícios. A criança que não foi ensinada sofrerá perdas importantes e terá que fazer maiores esforços para dar conta das naturais demandas do viver.

Na Bíblia Sagrada há uma expressão que diz: “Tudo tem o seu tempo determinado…” (Ec 3.1a). Nessa expressão vemos que Deus estabelece ciclos para a vida, e em cada um deles há um propósito que devemos cumprir; cada coisa tem sua ocasião. Significa dizer que cada mudança concernente ao ser humano, em seu tempo e estação, é inalteravelmente fixada e determinada por um poder supremo. Existe uma harmonia maravilhosa nas coisas que Deus criou; de modo que, quando os acontecimentos vêm, consideramos suas relações e tendências junto a suas fases, tornando-as mais fáceis e agradáveis de serem vividas. Assim, compreendemos que não são os pais que determinam a hora do crescimento de seus filhos, mas o ciclo natural da vida. Os pais não o podem acelerar nem tornar essas fases lentas, apenas possuem como tarefa acompanhá-las, buscando a sabedoria divina.

Alguns estudiosos entendem que quando os pais tentam interromper ou acelerar o crescimento dos filhos, eles precisam refletir sobre sua própria vida, projetos e frustrações. Experiências vividas não podem prolongar a dependência dos filhos ou acelerar sua independência.

Papalia, Olds e Feldman (2006), cientistas estudiosas do desenvolvimento humano, afirmam que devemos educar os filhos e deixá-los ir, ou seja, crescerem, caminharem com suas alegrias e frustrações. Isso contribuirá para sua autonomia e seu consequente crescimento saudável.

Rosângela Medeiros

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* Publicado originalmente no Adnews 18 (Julho/2013)

Aprendendo a assumir responsabilidades

Um dos maiores desafios da vida é sair da fase infantil e ingressar no mundo das responsabilidades maiores e inadiáveis. Claro, desde pequenos somos cobrados a ter compromissos, nos exigem pequenas tarefas, como escovação, tarefas escolares, horários de dormir, acordar, entre outras. Mas, há um diferencial. É que, quando crianças, quando não conseguimos realizar nossos afazeres, outros fazem por nós e nos dão crédito e tolerância por nossa pouca idade. Tudo isto muda de configuração quando entramos na fase da juventude. Esse é o período que começamos a caminhar com nossas próprias pernas.

Evidentemente, sempre teremos pessoas maduras que nos ajudarão em nossas escolhas; entretanto, as decisões que serão determinantes para o futuro de um jovem, estão sob sua responsabilidade. Estas escolhas envolvem a definição de uma vida acadêmica e profissional, a escolha da pessoa que será seu companheiro por toda a vida, o equilíbrio entre a vida social e a Igreja, enfim, uma série de eleições que são extremamente importantes e inadiáveis. Descobre-se, também, neste período da vida, que os contos de fada são irreais, que a realidade é bem diferente de nossos sonhos infantis, e estas descobertas ás vezes assustam os jovens. Não se pode deletar as consequências de uma escolha equivocada, por isto, é tão importante ser criterioso e responsável na definição e seleção de coisas determinantes para o futuro.

Em todas as decisões que tomar, o jovem cristão deve ser regido por alguns princípios éticos e cristãos. Deus está de acordo com minhas preferências? Afronto os valores herdados de minha família? Estou em sintonia com os princípios de minha Igreja? Minha decisão é sólida ou apenas satisfaz meus desejos? São indagações que o jovem deve fazer antes de dar passos em direção ao seu amanhã.

Responsabilidades exigem disciplina e determinação, nos impõe horários, regras, porém, são elementos inseparáveis do sucesso, da conquista da estabilidade financeira, emocional, afetiva e, principalmente, espiritual. Não se chegará a lugar algum na vida se uma pessoa não assume responsabilidades. Nada é fruto do acaso ou se adquire fortuitamente ou sem esforços.

Assim, caro jovem, encare a vida de frente, assuma seus compromissos com seriedade, e saiba que Deus é o principal interessado em tua prosperidade, Ele é o teu maior incentivador, e te ajudará na tarefa de viver com responsabilidade e compromisso. Tuas decisões serão respaldadas por Ele; se forem fundamentadas nos conselhos da Palavra de Deus.

“Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas te trará Deus a juízo. Afasta, pois, a ira do teu coração, e remove da tua carne o mal, porque a adolescência e a juventude são vaidade” (Ec 11.9,10).

Josiel Soares

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* Publicado originalmente no Adnews 10 (Outubro/2012)

A beleza da mulher cristã

É algo bastante comum que as mulheres cuidem e se preocupem com sua beleza. De fato, uma das indústrias que mais crescem (e que parece imune às crises econômicas recentes) é a da beleza. Artigos de moda, roupas, acessórios, cosméticos, tratamentos estéticos, academias, etc., nunca estiveram tão em alta. Gastam-se fortunas na busca de um corpo e de um rosto ideal, sem imperfeições e sem os efeitos do tempo.

Embora seja, até certo ponto (o bom senso, o equilíbrio são fundamentais para que se evitem os excessos), normal este tipo de preocupação entre as mulheres, o que nos diz a Palavra do Senhor quanto à beleza da mulher cristã? Ao escrever a Timóteo (2 Tm 2.9-10), o apóstolo Paulo diz que as mulheres que servem a Deus devem adornar-se com modéstia e discrição, ou seja,  seus cuidados com a aparência devem pautar-se no pudor (ou seja, no recato em exibir o seu corpo; é preciso cuidado com a honra do vestuário, de modo a não provocar desejos impuros em outras pessoas. A modéstia é a manifestação externa de uma pureza interna. Não é errado uma mulher adornar-se, desde que este adorno não fira o padrão de santidade que se espera de uma santa mulher de Deus.

Também o apóstolo Pedro, ao falar deste assunto, ensinou: “O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de joias de ouro, na compostura de vestes, mas o homem encoberto no coração, no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus. Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus e estavam sujeitas ao seu próprio marido”(1 Pe 3.3-5).

Fica bem claro nesse texto que a beleza da mulher que serve a Deus não depende de coisas exteriores, como joias ou roupas muito caras, ou artificialidades diversas, mas é algo que vem de dentro para fora, procede de um coração manso e irrepreensível. O que importa para Deus é que nós, mulheres, nos preocupemos em desenvolver, com a ajuda do Espírito Santo as virtudes descritas em Gálatas 5.22: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança. Jesus mesmo declarou: “aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29).

De nada serve ter uma aparência esplêndida exteriormente se nossos atos, comportamentos, palavras demonstram vir de um coração insensato e cheio de desejos pecaminosos. Precisamos cuidar de nosso coração mais ainda do que cuidamos de nosso exterior, pois a palavra de Deus nos ensina que “sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” (Pv 4.23). Jesus ensinou que do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos e todos os tipos de pecado (Mc 7.21). Por isso, se queremos ser verdadeiramente belas, temos que cuidar bastante daquilo que deixamos entrar em nosso coração.

Que o Senhor nos ajude a sempre considerarmos esta verdade: “Enganosa é a graça, e vaidade (ou seja, passageira) é a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor essa será louvada” (Pv 31.30). A beleza exterior pode ser enganosa, pode não ser autêntica (e como isso acontece hoje em dia!) e com certeza, um dia vai passar, mas a beleza que vem de um coração que teme ao Senhor jamais esmorecerá.

Cristhiane Alves

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* Publicado originalmente no Adnews 27 (Maio/2014)