A face de Cristo ou a cara do mundo?

O temor de ser excluído por um grupo impulsiona muitos jovens a se adequarem ao padrão da maioria e, assim, serem aceitos por ela

“… os que se deixaram manchar vivem uma vida de muitas faces, sem refletir a glória de Cristo…”

A inclusão em um grupo faz parte do período juvenil. O processo de ajuntamento auxilia na elaboração da identidade. Durante a puberdade os laços familiares já não são o bastante e outras referências são procuradas.

Neste momento, os amigos crescem em importância e cada um sai em busca do grupo onde suas idéias, valores e comportamentos sejam compartilhados.

O jovem cristão está sujeito a esta realidade. Ele vai à faculdade, à Igreja, se reúne com os amigos, anda pelas ruas de sua cidade e é influenciado por todos estes meios. E aí surgem as questões: até onde o jovem que serve a Deus deve se deixar influenciar? Não deveria ele produzir influência?

Se sentir aceito é o objetivo máximo para diversas pessoas, principalmente nesta idade. Logicamente, ser rejeitado é o pior dos pesadelos da vida juvenil, quase insuperável para muitos. Segundo a estudante Stella das Chagas, 17 anos, o temor de ser excluído por um grupo impulsiona muitos jovens a se adequarem ao padrão da maioria e, assim, serem aceitos por ela. “Medo de ser excluído por um determinado grupo de amigos não evangélicos, principalmente”, pensa Stella.

Assim, parecer com o mundo se torna o lema dos que desejam ser populares. Neste caminho estão todos os perigos para a contaminação da identidade cristã que deve ser notada na vida dos que servem ao Senhor. E os que se deixaram manchar vivem uma vida de muitas faces, sem refletir a glória de Cristo e com uma verdadeira falta de compromisso espiritual.

Na Igreja, aparentam fidelidade e obediência, mas, fora dela, são “descolados” aos moldes do mundo. Já na presença dos pais outra faceta aparece. Não levando em conta os exemplos de jovens dos tempos bíblicos,  que se deixaram levar por caminhos da popularidade em meio às trevas, se esqueceram do compromisso que deveriam ter com o Senhor e acabaram em situações difíceis; Sansão pode ser usado como modelo clássico disso.

No entanto, temos também em nossos dias muitos jovens que escolheram não aderir à máscara do mundo, rejeitaram os padrões de popularidade impressos por essa sociedade corrompida e, decidiram – como Daniel – manter firme a verdadeira identidade cristã, procedendo como pequenos astros que refletem a luz de um astro maior, os cristãos têm a face de Cristo. “É possível viver a vida que Deus nos concedeu de modo a glorificá-lo, sem se contaminar com o mundo e pecar”, confessa Stella.

A Bíblia nos orienta a buscarmos primeiramente o Reino de Deus, e isso se aplica também às nossas amizades e práticas em meio ao mundo. O cristão verdadeiro só tem uma face: a de Cristo.

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* Publicado originalmente no Adnews 09 (Setembro/2012).

Um comportamento dentro da igreja e outro fora dela

“E desceu Sansão a Timnate; e, vendo em Timnate uma mulher das filhas dos filisteus. Subiu, e declarou-o a seu pai e a sua mãe, e disse: Vi uma mulher em Timnate, das filhas dos filisteus; agora, pois, tomai-ma por mulher. Porém seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? E disse Sansão a seu pai: Toma-me esta, porque ela agrada aos meus olhos” (Jz 14.1-3).

A história de Sansão representa muito bem a conduta de um jovem cristão instável e vulnerável às influências mundanas. É aquela pessoa que, dentro de seus territórios, a Igreja, por exemplo, mostra-se forte, decidido, heróico e admirável. Mas, fora de seu perímetro, comporta-se de maneira dúbia e reprovável, adequando-se aos padrões estabelecidos por pessoas estranhas aos costumes e condutas cristãs.

Ao povo de Israel, Sansão se revelava um jovem prodigioso, vencedor de grandes batalhas, um verdadeiro herói. Seu povo o admirava, aplaudia suas ações e reconhecia o mover do Senhor em seu viver. Contudo, os olhos de Sansão estavam fora dos perímetros de seu povo, ele era atraído pela vida diferente das nações inimigas e pelo prazer fugaz de seus atrativos. Este comportamento duvidoso o levou à derrota, ao fracasso diante dos opositores filisteus, numa prova inequívoca de que todos que optam por manter uma dupla conduta, e não fazem separação entre o profano e o sagrado, sofrerão as consequências de sua indecisão. Jamais devemos nos esquecer que somos propriedade exclusiva de Deus (I Pe 2.9).

A vida social de um jovem cristão deve coincidir com suas declarações de fé, seu procedimento nos lugares que frequenta deve ser compatível com os costumes e doutrinas de sua Igreja. Esta é uma questão de caráter, uma prova de lealdade a Deus e aos seus irmãos, a manifestação pública de sua crença nas verdades e doutrinas da Santa Palavra de Deus e a valorização da presença do Espírito Santo em sua vida. Todo comportamento social baseado na dubiedade caracteriza ausência de firmeza espiritual e hesitação na fé em Deus, comportamento reprovado pelo Senhor.

Que Deus levante nestes últimos dias, jovens corajosos e decididos como Daniel em Babilônia, que se mantenham fiéis em situações adversas como José no Egito, honrando a Deus mesmo quando não estava sob a proteção e companhia de seus irmãos.

“Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai” (Jo 12.35).

Ev. Josiel Soares

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* Publicado originalmente no Adnews 9 (Setembro/2012)

Atendendo à minha vocação e ao meu chamado

Entrega teu caminho ao Senhor, confia n’Ele, e tudo Ele fará (Sl 37.5). Diante de um tema tão significante para a juventude cristã, devemos alinhar nossos pensamentos e opiniões com os princípios ensinados pela Palavra de Deus. Vamos, primeiramente, conceituar as duas palavras da matéria tratada, para uma melhor compreensão. Vocação é a tendência ou inclinação natural que direciona alguém para uma profissão específica, para desempenhar determinada função, para um trabalho, etc. Essa vocação pode ser literária, religiosa, musical, política, para uma liderança, entre outras. Um chamado divino é algo absolutamente espiritual, é uma convocação sublime para o desempenho de uma tarefa específica na obra do Senhor, para uma atividade eclesiástica ou secular que esteja essencialmente ligada à missão do Corpo de Cristo, que é a Igreja.  Na esfera espiritual, às vezes refere-se à vocação e ao chamado divino como se fossem a mesma coisa. É apenas uma questão de nomenclatura, não altera o cerne de nosso comentário.

Evidentemente, a vocação e o chamado são elementos que podem e devem ser usados em conjunto. Não se pode negar a supremacia da chamada divina sobre a inclinação natural, entretanto, jamais devemos subestimar o valor dos dons naturais que recebemos do Senhor. As habilidades inatas são extremamente úteis no desempenho das tarefas que Deus nos dá para realizarmos. Por exemplo, uma pessoa chamada por Deus para a obra missionária poderá usar suas habilidades musicais no campo de missões. Um homem chamado por Deus para o ministério pastoral terá a oportunidade de usar seus conhecimentos profissionais no desempenho de suas tarefas (Psicologia, Administração, Edificação, etc.).

Na questão da vocação natural, o jovem pode buscar um auxílio profissional, como, por exemplo, um teste de aptidão, estágios em algumas áreas específicas ou a busca por literatura que trate desse assunto. Às vezes, a vocação é hereditária, quando os pais incutem na vida dos filhos o amor por suas escolhas profissionais. A preferência por Ciências Exatas ou Humanas pode ser fundamental na escolha do caminho que um jovem deve fazer para seu futuro. Em tudo isso, é essencial a busca por uma direção divina, para que nossas alternativas sejam aprovadas e dirigidas por Deus.

A chamada de Deus para o serviço cristão não é de natureza humana, ela depende única e exclusivamente d’Ele, ratificada e executada através dos homens que Ele escolheu como seus representantes na Terra. Esse chamado se manifesta no desejo ardente de servir a noiva do Cordeiro, num espírito de humildade e dedicação à Obra do Senhor e na disposição em sofrer perdas por Cristo. A chamada prevalece sobre os desejos pessoais, sobre os projetos e as aspirações de uma pessoa. Muitos jovens sonham com a vida ministerial, mas consideram apenas o glamour da posição eclesiástica, o deslumbre dos holofotes imaginários das funções ministeriais. Não avaliam o peso da cruz e o alto preço exigido daqueles que se submetem aos desígnios de Deus em seu viver.

O jovem cristão deve submeter ao Senhor suas projeções futuras, suas decisões devem passar pelo crivo divino, para que receba as necessárias e indispensáveis orientações de Deus para sua vida. Deus tem um caminho para cada pessoa. O salmista Davi afirma no Salmo 139.16: “[...] no Teu livro todas essas coisas foram escritas [...]”. Ele afirmava que o passado, o presente e o futuro de uma pessoa estão no conhecimento divino, e que Deus é o responsável pelo progresso e pelas conquistas dos homens.

Busque ao Senhor no intuito de que Ele revele Sua vontade em seu viver. Ele certamente tem o melhor para a sua vida: “[…] eu sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais” (Jr. 29.11).

Ev. Josiel Soares

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* Publicado originalmente no Adnews 17 (Junho/2013)