A beleza da mulher cristã

É algo bastante comum que as mulheres cuidem e se preocupem com sua beleza. De fato, uma das indústrias que mais crescem (e que parece imune às crises econômicas recentes) é a da beleza. Artigos de moda, roupas, acessórios, cosméticos, tratamentos estéticos, academias, etc., nunca estiveram tão em alta. Gastam-se fortunas na busca de um corpo e de um rosto ideal, sem imperfeições e sem os efeitos do tempo.

Embora seja, até certo ponto (o bom senso, o equilíbrio são fundamentais para que se evitem os excessos), normal este tipo de preocupação entre as mulheres, o que nos diz a Palavra do Senhor quanto à beleza da mulher cristã? Ao escrever a Timóteo (2 Tm 2.9-10), o apóstolo Paulo diz que as mulheres que servem a Deus devem adornar-se com modéstia e discrição, ou seja,  seus cuidados com a aparência devem pautar-se no pudor (ou seja, no recato em exibir o seu corpo; é preciso cuidado com a honra do vestuário, de modo a não provocar desejos impuros em outras pessoas. A modéstia é a manifestação externa de uma pureza interna. Não é errado uma mulher adornar-se, desde que este adorno não fira o padrão de santidade que se espera de uma santa mulher de Deus.

Também o apóstolo Pedro, ao falar deste assunto, ensinou: “O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de joias de ouro, na compostura de vestes, mas o homem encoberto no coração, no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus. Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus e estavam sujeitas ao seu próprio marido”(1 Pe 3.3-5).

Fica bem claro nesse texto que a beleza da mulher que serve a Deus não depende de coisas exteriores, como joias ou roupas muito caras, ou artificialidades diversas, mas é algo que vem de dentro para fora, procede de um coração manso e irrepreensível. O que importa para Deus é que nós, mulheres, nos preocupemos em desenvolver, com a ajuda do Espírito Santo as virtudes descritas em Gálatas 5.22: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança. Jesus mesmo declarou: “aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29).

De nada serve ter uma aparência esplêndida exteriormente se nossos atos, comportamentos, palavras demonstram vir de um coração insensato e cheio de desejos pecaminosos. Precisamos cuidar de nosso coração mais ainda do que cuidamos de nosso exterior, pois a palavra de Deus nos ensina que “sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” (Pv 4.23). Jesus ensinou que do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos e todos os tipos de pecado (Mc 7.21). Por isso, se queremos ser verdadeiramente belas, temos que cuidar bastante daquilo que deixamos entrar em nosso coração.

Que o Senhor nos ajude a sempre considerarmos esta verdade: “Enganosa é a graça, e vaidade (ou seja, passageira) é a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor essa será louvada” (Pv 31.30). A beleza exterior pode ser enganosa, pode não ser autêntica (e como isso acontece hoje em dia!) e com certeza, um dia vai passar, mas a beleza que vem de um coração que teme ao Senhor jamais esmorecerá.

Cristhiane Alves

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* Publicado originalmente no Adnews 27 (Maio/2014)

A busca desenfreada pelo corpo perfeito

A beleza exterior sempre foi motivo de preocupação. Muitos acreditam que cuidar do corpo é uma filosofia de vida. Lipoaspiração, implantes de silicone, cirurgias plásticas, anabolizantes, dietas milagrosas, ditadura nas academias. A vaidade com o corpo está tão em alta que a aparência se tornou prioridade na vida de alguns jovens. Os padrões de beleza que a sociedade impõe, fazem com que a juventude se dedique cada vez mais a ter um corpo perfeito e moderno.

Assim como na Grécia antiga com estátuas e gravuras, o estereótipo mostrado pela mídia atual, principalmente em revistas e programas televisivos, traça um perfil de “super-humanos”. Todos musculosos, sarados, atléticos, nariz empinado, enfim, corpos perfeitos para corresponderem às exigências da moda.

No entanto, a excessiva valorização dessa “cultura” tem se tornado um problema até mesmo de saúde publica. A busca pela perfeição tem levado jovens a cometerem abusos contra o próprio corpo achando que dessa forma terão maior credibilidade e visibilidade social.

Ao olhar-se no espelho, Laís Mayara, 19, não se conforma com o que ver. Quer fazer uma cirurgia para afilar seu nariz e acredita que sua face ganhará um realce. “Quero ter um nariz fino”, explica a estudante. Todos os dias, ela se cobra e quer a todo custo realizar o procedimento da forma mais rápida possível para olhar para o espelho e ficar satisfeita.

Assim como Laís, sempre tem alguém querendo fortalecer sua personalidade com a aparência e dedica-se ao máximo como uma enfermidade psicológica, numa espécie de ‘culto ao corpo’. O culto ao corpo está associado ao poder da imagem que se faz de si próprio.

O dilema para manter a estética corporal faz alguns jovens tomarem atitudes que jamais pensaria que ocorreria consigo. Foi o caso de Silvana Porto, 28 anos. Preocupada com a estética de seu corpo e querendo ter “barriguinha de tanquinho” fez uma lipoaspiração no mês de dezembro. Após a cirurgia Silvana voltou para casa, dias depois, começou a sentir dores muito fortes e muita febre. Ela estava com hemorragia e início de infecção. Voltou para o hospital e está em coma.

A moda da “corpolatria” gera um impacto na vida desses jovens preocupados em ter corpos “sarados”. Isto influencia na área social, profissional, espiritual e até familiar. Na mente deles, todo foco é voltado para sua estética corporal ficam a mercê de cremes, academias, cirurgias e outros recursos para se sentirem mais valorizados e poder chamar atenção, quando na verdade se iludem ficando presos ao culto do corpo e afastando-se da saúde corporal.

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* Publicado originalmente no Adnews 13 (Fevereiro/2013)

Compositoras da Harpa Cristã: Frida Vingren

Durante quatro meses, estamos acompanhando a história devida de mulheres que se destacaram em sua época por grandes atos e por compor a letra e a música de belos hinos da Harpa Cristã. Este mês, vamos conhecer a história de Frida Vingren, uma grande mulher de Deus e que estava bem à frente do seu século.

Muitos já ouviram falar de Frida Vingren, pelo fato de ela ser a esposa do Pr. Gunnar Vingren, missionário e fundador das Assembleias de Deus no Brasil. Mas Frida foi muito mais que esposa, dona de casa e mãe. Missionária, compositora, pregadora, escritora, poetisa e violinista foram apenas algumas de suas funções.

Frida Maria Strandberg Vingren nasceu, em 1891, no norte da Suécia. De família luterana, foi criada em um lar cristão. Formou-se em Enfermagem, chegando a ser chefe de enfermaria no hospital onde trabalhava. Nessa época, o chamado para a Obra Missionária ardia em seu coração, então ela se uniu a muitos jovens que tinham o mesmo desejo em um movimento por missões.

Ainda jovem, Frida ingressou em um Instituto Bíblico na cidade de Götabro, província de Närkre, como objetivo de estudar mais a Palavra de Deus e se preparar para a Obra Missionária.

Em uma das visitas de Gunnar Vingren à Suécia, por causa de problemas de saúde, ele conheceu Frida, e se tornaram grandes amigos. Em 1917, Frida deixou seu país para vir ao Brasil e cumprir seu chamado missionário. Ao chegar a Belém do Pará, casou-se com Gunnar numa cerimônia realizada pelo Pr. Samuel Nystrom. O casal teve seis filhos:Ivar, Rubem, Margit, Astrid, Bertil e Gunvor.

Ainda recém-casados, tiveram que enfrentar diversas dificuldades, tanto na área financeira quanto na saúde física. Mas a vontade de ganhar almas e fazer ao brado Senhor era mais forte que as enfermidades. Depois de muitos anos no Pará, a família decidiu ir para o Rio de Janeiro, onde alugaram uma casa no bairro de São Cristóvão, na zona norte da cidade, e inauguraram o primeiro salão de cultos da Assembleia de Deus no Estado. Frida continuou desenvolvendo atividades evangelísticas em muitos lugares.

Ela era envolvida em obras sociais e ajudava muitas pessoas com sua própria formação: Enfermagem. Pela facilidade que tinha em escrever, tornou-se redatora dos jornais Boa Semente, O Som Alegre e Mensageiro da Paz. Ela também era escritora, tradutora de mensagens evangelísticas e doutrinárias e comentarista de Lições Bíblicas da Escola Dominical na década de 1930.

Além de escrever, Frida sempre se dedicou à música. Cantava, tocava órgão, violão e compunha vários hinos. A Harpa Cristã contém cerca de 23 hinos de sua autoria, entre eles: Deixai Entrar o Espírito de Deus (n°85), Uma Flor Gloriosa (n°196) e A Mão no Arado (n°394).

Depois de quinze anos trabalhando na Obra Missionária no nosso país, a família Vingren decidiu retornar à Suécia em setembro de 1932. Frida faleceu em 30 de setembro de 1940, 7 anos após o falecimento do marido.

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* Publicado originalmente no Adnews 41 (Agosto/2015), como parte de uma série englobando as edições 39 a 45. 

Solteirice: Aprendendo a esperar no tempo do Senhor

Normalmente, o ser humano está acostumado à idéia de que o melhor lugar para se estar, é onde se desfruta de cuidado, proteção e afetividade. Logicamente, toda pessoa sensata sempre buscará esse tipo de atmosfera. A maioria de nós encontra, inicialmente, no ambiente familiar estes elementos provenientes de nossos pais ou cuidadores. Porém, chega um momento na vida em que buscamos reproduzir um ambiente semelhante com a pessoa que amamos e desejamos nos comprometer em casamento. Em outras palavras, nascemos carentes de amor e atenção e quando saímos de debaixo das “asas” dos pais, procuramos crescer e construir nossa própria história com o futuro cônjuge. Pelo menos é o que normalmente se observa na maioria das pessoas.

Todavia, não é o que tem ocorrido em muitos lares de nossa atual sociedade. Isto nos diz o IBGE, com base no que foi observado entre os anos de 2014 e 2015. Segundo nosso Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o número de jovens, com idades de 25 a 34 anos, que permanece vivendo com os pais, ou voltam a morar com eles por opção, mesmo após haverem conquistado a independência financeira, avançou consideravelmente. Algo que há mais de 11 anos não ocorria nesta proporção. Alguns estudiosos, têm chamado este fenômeno de “geração canguru”, fazendo alusão ao filhote desta espécie, que fica “bem acomodado” na bolsa natural localizada junto à mamãe canguru. Neste caso, muitos destes jovens não demonstram qualquer interesse de comprometerem-se em casamento.

A maioria dos jovens cristãos não se enquadra no contexto da chamada “geração canguru”, pois aqueles que adotam esse estilo de vida não querem compromisso sério, nem assumir responsabilidades conjugais. No entanto, motivados pelo desejo intenso de encontrar a outra “metade da laranja”, alguns jovens servos de Deus, precipitadamente, acabam fazendo uma escolha errada, ocasionando assim, sérias consequências.

Os mais avisados, por outro lado, temem muito errar em suas escolhas e se apoiam no ditado que diz “antes só do que mal acompanhado”. Na verdade, para escolhas importantes como o casamento, não é necessário ter pressa. Há tempo para todo o propósito! Aqueles que precipitadamente tomam decisões motivados pelo “desespero”, frequentemente se decepcionam no futuro. Deus, no entanto, não trabalha dessa forma. Ele nos prepara para que no tempo certo estejamos aptos a recebermos Suas bênçãos. Mesmo que o propósito do Senhor para quem o serve seja o celibato, Sua vontade sempre será boa, agradável e perfeita! Seja como for, a experiência daqueles que esperaram no Senhor, demonstra que vale à pena aguardar pelo momento que Ele determinou para nos abençoar. Se no momento atual você se encontra sem sua “cara metade”, desfrute das oportunidades para dedicar-se ao máximo a Ele. Afinal, também há tempo para abraçar e afastar-se dos abraços! (Ec 3.5)

Rute, um exemplo da lealdade feminina

Imagem de Sandy Freckleton

Vivemos em um mundo individualista, no qual a verdadeira amizade e o companheirismo não são tão comuns às pessoas. Na Bíblia Sagrada encontramos a história de Rute, uma moabita que amou sua sogra hebreia, Noemi, a ponto de abrir mão dos seus próprios interesses para dar-lhe o bem estar.

Por causa de um período de fome na terra em que estavam, Noemi, seu esposo Elimeleque e os filhos viajaram da cidade de Belém para Moabe. Passados alguns anos, o marido e os filhos morreram e Noemi ficou sozinha com suas noras, Rute e Orfa. Ao ouvir que a fome em Belém havia passado, resolveu voltar para sua terra natal. Ela insistiu para que suas noras voltassem para suas famílias, onde estariam livres para se casarem novamente, porém, tanto Rute quanto Orfa desejaram ficar com ela.

Após uma despedida comovente, Noemi convenceu Orfa a voltar para casa; Rute, entretanto, não cedeu. Nessa mistura de culturas, históricos familiares, relacionamentos nora e sogra, que provavelmente tiveram momentos de tensão como também de ternura, ainda assim estavam ligadas uma à outra. Rute não acompanhou Noemi por aquilo que ela poderia lhe oferecer, mas sim, pela força do sentimento de amizade que prevaleceu.

Segundo o dicionário Aurélio, amizade é um sentimento fiel de afeição, estima ou ternura entre pessoas que em geral não são parentes nem amantes. Rute externou sua amizade profunda e duradoura por Noemi em meio às dificuldades, renunciando a sua liberdade e decidindo viver ao lado da sogra até a morte.

Independente da situação pela qual poderiam passar, Rute decidiu basear seu relacionamento em lealdade e compromisso (Rt 1.16,17), deixando a lição de que o valor da amizade está no que o indivíduo é, e não naquilo que ele tem.

Destacando-se na história como modelo de caráter feminino, Rute dispõe-se, com alegria e confiança, a romper com seu passado, sua herança cultural, e passar o resto da vida como estrangeira ao lado de sua sogra. Seu voto a Noemi é uma das declarações mais belas de companheirismo, amizade e compromisso da história. “[…] Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16). Amizades duradouras são alicerçadas em Deus, pois Ele demonstra amor incondicional, lealdade perene e compromisso imutável.

Rosângela de Medeiros

Professora

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* Publicado originalmente no Adnews 08 (Agosto/2012). 

Orar sempre e nunca desfalecer: um desafio para todo cristão

A oração é uma das principais práticas da vida devocional. Através da oração, o crente se comunica com Deus, seja para adorá-Lo, pedir-Lhe direção e livramento, suplicar por Suas bênçãos, confessar pecados, rogar-Lhe o perdão ou simplesmente para contemplar a Sua face. Todo aquele que diz ser cristão ou que serve a Deus necessariamente deve levar uma vida de oração: “Todo aquele que é santo orará a Ti” (Sl 32.6). Até mesmo Jesus, o próprio Filho de Deus encarnado, constantemente se retirava para orar ao Pai. E muitas vezes, em Seus ensinos, falou sobre a oração, explicando como ela deveria ser feita, e também ressaltou o dever de orar sempre e nunca desfalecer (Lc 18.1; Mt 26.41).

Como está a nossa vida de oração? Estamos no início de um novo ano, e este é um bom momento para avaliarmos o estado da nossa comunhão com Deus por meio da oração. Geralmente, começamos o ano fazendo promessas de que seremos mais cuidadosos quanto à vida devocional, de que frequentaremos mais os cultos de oração, enfim, de que buscaremos mais ao Senhor. Porém, com o passar dos dias, o peso da rotina e o corre-corre das demandas infinitas da era em que vivemos esmorecem gradativamente o nosso ânimo de passar mais tempo aos pés do Senhor. E, então, acabamos colhendo os frutos de nossa negligência na oração: preocupações, ansiedades, inquietações que nos roubam a nossa paz, a nossa saúde e, principalmente, nossa confiança no Deus que tudo pode fazer!

Por esta razão, é salutar que sigamos o que Jesus ordenou aos Seus discípulos: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Cada preocupação deve ser imediatamente transformada num motivo de oração; foi exatamente isso o que Paulo quis dizer aos crentes de Filipos: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças” (Fp 4.6). E o resultado natural dessa atitude de fé será que “a paz de Deus, que excede a todo entendimento, guardará o vosso coração e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (v.7).

Que gloriosa é esta ferramenta espiritual, que tanto nos aproxima do Deus Altíssimo (Is 57.15)! Como é capaz de produzir efeitos aqui na terra (Tg 5.16)! Cientes disso, busquemos viver de modo que oremos sem cessar (1Ts 5.17), peçamos a Deus tudo aquilo de que necessitamos, crendo que Ele nos vai conceder (Mt 7.7,8); em meio às aflições nos refugiemos na oração (Tg 5.13) e recebamos poder de Deus através da oração (At 4.31). E esta lista não é exaustiva: mostra apenas alguns dos benefícios da oração.

Concluo aqui destacando o que disse João Bunyan, notável servo de Deus do século XVII: “A oração é uma ordenança de Deus para o uso tanto público como privado: mais ainda, é uma ordenança que coloca aqueles que têm o espírito de súplica em estreita relação com Ele, e também possui efeitos tão notáveis que alcançam grandes coisas de Deus, tanto para uma pessoa que ora, como para aqueles por quem ela ora. Abre, por assim dizer, o coração de Deus, e, através dela, a alma, mesmo quando vazia, é preenchida. Através da oração, o cristão também pode abrir seu coração a Deus como o faria com um amigo, e obter um renovado testemunho de Sua amizade”.

Que neste novo ano, aprofundemos cada dia mais a nossa comunhão com o Senhor por meio desta valiosa disciplina da oração!

Cristhiane Souza Alves

1ª Vice-coordenadora dos Círculos de Oração da IEADPE

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* Publicado originalmente no Adnews 70 (Janeiro/2018). 

O que fazer enquanto espera?

Dois jovens e um mesmo desejo: Exercer a solteirice de uma forma que agrada a Deus

“Melhor é serem dois do que um”, Provérbios 4.9.

Desde os primórdios é notável na humanidade a necessidade de relacionar-se e de comunicar-se. Ter alguém em quem confiar; conversar; dar amor e se sentir amado é uma benção, e é também, essencial para o ser humano.

Desde pequenos, sentimos o amor, o cuidado e a atenção de nossa família e amigos. Quando crescemos, desenvolvemos também a necessidade de nos apaixonarmos, namorarmos, casarmos, e construirmos nossa própria família. Algumas pessoas pensam em casamento desde crianças, e imaginam que quando crescerem e alcançarem determinada idade conhecerão o amor da sua vida e, enfim, se casarão.

Mas e quando essa tal idade chega e a pessoa ainda está só? E quando o tempo vai passando e o sentimento de solidão só aumenta? É possível esperar e confiar em Deus sem se desesperar? Entrevistamos dois jovens de idades diferentes para uma discussão sobre o que é esperar em Deus.

Heitor tem 25 anos, está concluindo a faculdade e trabalha como autônomo. Ele acredita que ainda está solteiro por medo de errar e de ter más conseqüências no futuro. Quando questionado sobre o que ele considera ser esperar em Deus, respondeu: “Uma vez ouvi que ‘Devemos ter muita calma e subir degrau por degrau, pois cada vez que antecipamos a jornada, também antecipamos o final’. E quando se trata de esperar em Deus contamos com o fator certeza. Esperar é está no lugar certo e também na hora certa. Alguém pode dizer que esperar em Deus é perder tempo, mas na verdade esperar no Senhor é escolher não perder tempo. Até porque quem se apressa erra o alvo”, afirmou.

Giselle Pereira tem 33 anos, ela é Policial Militar e também está solteira. Segundo ela, “esperar em Deus é confiar, certa de que serei respondida. É ter fé. É acreditar que o melhor de Deus virá”, disse.

Apesar da diferença de idade e contexto em que vivem, Heitor e Giselle tem algo em comum: A confiança de que Deus dará o melhor a eles. “Estou esperando pacientemente. É difícil, mas não é impossível”, afirmou Giselle. “Eu tenho procurado me dedicar ao Senhor, na igreja, estudar e tentar obter uma boa condição financeira para que quando o momento oportuno chegar, as coisas possam ocorrer da melhor forma possível”, revelou Heitor.

O que fazer quando se está esperando é o ponto chave para uma espera bem sucedida. Sobre isso, o escritor John Fisher escreveu o seguinte: “Deus me chama para viver o presente. Deseja que utilize todo o meu potencial como homem hoje, que seja grato pela minha condição atual e que a aproveite da melhor maneira possível. Tenho a impressão de que a pessoa solteira que está sempre sonhando em se casar provavelmente se casará, descobrirá as reais implicações do casamento e passará a sonhar com a vida que levava antes! Ela se perguntará: ‘Por que não fiz melhor uso do tempo que tinha para o Senhor quando minhas responsabilidades não eram tão numerosas? Por que não me entreguei completamente a Ele quando estava solteira?”

Muitas vezes, as cobranças familiares e de amigos trazem uma pressão tão forte, que fazem quem está esperando, se sentir na obrigação de entrar em um relacionamento mesmo sem saber se ele é da vontade de Deus. E é exatamente aí que está o problema. Um famoso ditado diz que “a pressa é inimiga da perfeição”. Nesse caso, a pressa ignora a vontade de Deus.

“Achar que está demorando nos traz ansiedade e muitas vezes o desespero por se limitar ao tempo. Sabemos que o tempo de Deus não é o nosso”, afirmou Giselle. Sobre Confiar que Deus tem o controle e esperar Sua vontade, Heitor também tem o segredo: “Quando menos esperamos, as coisas acontecem. Esperar em Deus é viver e no meio da jornada tudo vai se encaixando. Não é uma obra do acaso, mas a provisão de Deus como recompensa à nossa esperança depositada nEle. Como diz Salmos 37.5: “Entrega teu caminho ao Senhor, confie nEle e tudo Ele fará”.

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* Publicado originalmente no Adnews 63 (Junho/2017). 

Recuperando meu relacionamento com Deus

O principal objetivo de Deus, ao formar o homem, foi estabelecer com este uma relação de íntima comunhão. Apesar da queda e das suas consequências, o desejo de Deus em relação à humanidade continua sendo o mesmo hoje, tal como no princípio! A maior evidência disso está no fato de que, ao criar o homem, Deus lhe dá o espírito (Zc 12.1), ou seja, a parte imaterial do ser, que possibilita o relacionamento com o Altíssimo (não confundir com a alma, que é o centro das emoções). Embora a maioria das pessoas viva distante do Criador, a Bíblia afirma que o desejo de Deus é que todos sejam salvos (1 Tm 2.4) e, consequentemente, passem a relacionar-se com Ele.

Entretanto, apesar de tudo o que Cristo fez em nosso favor, vivificando-nos quando estávamos espiritualmente “mortos em delitos e pecados” (Ef 2.1-13), é triste observar a quantidade de cristãos que têm arruinado seu relacionamento com Deus. Infelizmente, muitos não têm dado o devido valor ao sacrifício de Jesus! Quando pensamos naqueles que se encontram nessa situação, normalmente os associamos aos que não estão mais na Igreja; porém, a realidade mostra que nem sempre é assim.

É possível estar na Igreja sem, contudo, manter um relacionamento correto com Deus. De fato, esse não é um problema observado apenas em nossos dias. Há mais de 2000 anos, na Ásia, encontramos o exemplo de cristãos que, apesar de estarem participando ativamente dos trabalhos de uma igreja local, não mantinham mais o mesmo relacionamento com Deus. Eles estavam na congregação, trabalhavam incansavelmente para o Senhor, possuíam conhecimento suficiente para identificar um falso apóstolo e, ainda assim, não estavam bem em sua relação com Jesus (Ap 2.2-5). A mensagem do Mestre. dirigida à Igreja de Éfeso, esclarece-nos a origem do problema: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor” (Ap 2.4). Vale destacar que os primeiros dias da Igreja de Éfeso foram gloriosos (At 19.1-20); porém, não se haviam passado nem 80 anos, e eles estavam ameaçados de perder sua posição como Igreja (Ap 2.5). Entretanto, sempre que Jesus repreende Seu povo, o faz com amor! Ao exclamar: “Lembra-te, pois, de onde caíste e arrepende-te, e pratica as primeiras obras” (Ap 2.5a), Jesus estava mostrando o caminho para a restauração do relacionamento com Ele!

Quando o crente deixa seu primeiro amor, precisa urgentemente lembrar onde caiu e correr aos pés de Jesus clamando por socorro! Afinal, quando o primeiro amor se perde, o relacionamento com Deus se extingue! A fim de evitar que isso aconteça, a Palavra de Deus nos conclama: “Chegai-vos, e ele se chegará a vós.” (Tg 4.8a).

Para aqueles que desejam recuperar seu relacionamento com Deus, encontramos uma promessa maravilhosa da parte do Senhor: “E buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13).

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* Publicado originalmente no Adnews 27 (Maio/2014). 

Enfrentando a timidez na adolescência

Timidez é um estado de desconforto que pode acontecer diante de situações sociais. Às vezes, chega a atrapalhar o bom desempenho do adolescente, não permitindo que ele atinja seus objetivos.

Geralmente se desencadeia em situações de confronto com autoridade; situações de interação com algumas pessoas; contato com estranhos; falar em grupos ou em público. A timidez é um padrão de comportamento que impede a pessoa de exprimir seus pensamentos e sentimentos e interagir ativamente. Prejudica a qualidade de vida porque pode provocar um empobrecimento nas relações sociais.

Adultos tímidos são resultado de adolescentes tímidos. Adolescentes tímidos não foram necessariamente crianças tímidas, isso pode ser agravado pelas mudanças que caracterizam a fase da adolescência. Quando os pais são tímidos ou têm baixa autoestima podem favorecer a repetição desse comportamento nos filhos. De igual modo, pais excessivamente agressivos formam filhos tímidos que tendem a ver os outros como figura de hostilidade.

Adolescentes que são submetidos a críticas constantes, situações vergonhosas e humilhações silenciosas ou públicas podem desenvolver timidez excessiva. Da mesma forma, pais que têm comportamento frio, não demonstrando sentimentos e afeto, não ajudam os filhos a desenvolverem confiança em si mesmos.

Todos temos momentos de timidez, e isso não é, necessariamente, negativo ou doentio. Na verdade, até pode funcionar como um tipo de regulador social, impedindo que aconteçam determinados excessos. Funciona ainda como um mecanismo de defesa, porque permite avaliar situações novas.

Há dois tipos de timidez mais frequentes. Aquela que acontece dependendo da situação, ou seja, em situações específicas. E a timidez mais abrangente, em que a inibição acontece em quase todas as áreas do convívio social: em casa, na escola, na igreja, etc. O adolescente não consegue falar com estranhos, não consegue fazer amigos e tem dificuldade extrema para falar em público.

Quando a timidez depende do contexto, significa que o adolescente consegue enfrentar outras situações. Então, deve-se investir numa constante melhora, tentando assim superar a dificuldade.

Quando é crônica, é necessário cuidado, porque ela pode evoluir, provocando até fobia social. Isso acontece quando o adolescente passa a evitar todas as situações sociais — como trabalhar, comer em local público, etc. —, chegando a ter sudorese, tremores, taquicardia, náuseas e a se isolar constantemente.

Um dos remédios para vencer a timidez na adolescência é buscar contato social com aquelas pessoas mais conhecidas, com as que menos impressionam ou desestabilizam o emocional do tímido. Isso quer dizer que se deve preferir estar com as pessoas com as quais se sintam melhor, mais seguras nas atitudes, como uma forma de treinamento para os relacionamentos humanos. Essa prática pode ser repetida quantas vezes forem necessárias, até que o adolescente vá, gradativamente, se sentindo mais seguro.

A proteção, o aconchego, o respeito e a sinceridade na relação familiar também podem ser importantes aliados para o adolescente que sofre com a timidez, porque servirão como fonte de segurança e amparo nos momentos em que ele vier a se sentir desestabilizado.

A intimidade com o Senhor, a fidelidade e obediência a Ele é a principal arma que está ao alcance das mãos de todos que enfrentam dificuldades com a timidez. Porque em Deus está o lugar forte de onde emana toda firmeza que cada adolescente precisa para seguir andando a passos fortes, rumo aos seus objetivos na Terra, até chegar no céu, onde não haverá nenhuma sorte de dor, tristeza ou ameaça.

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* Publicado originalmente no Adnews 47 (Fevereiro/2016). 

Amor negado: A triste realidade de pais que são abandonados pelos filhos

Filhos que abandonam os pais, maltratam, excluem. Por que eles fazem isso? O reconhecimento de todo amor que receberam pode vir tarde demais.

Imagine a seguinte situação: Um casal de idosos, com problemas de saúde e impossibilitados de realizar as atividades do cotidiano, sozinhos. Esse casal tem três filhos, mas eles estão ocupados demais para ajudá-los a se vestir, fazer suas refeições e passear com eles. Os dois vivem uma vida solitária. Os netos? Eles até têm, mas são adolescentes que não gostam de conversar com idosos porque “eles repetem sempre a mesma história”. A correria de todos os dias também não os deixa ligar, sequer, para dar um bom dia.       

Um dia, após poucas, mas necessárias cobranças desse casal aos seus filhos, as crianças que foram criadas com amor e sacrifício, e que agora são donos da própria vida, deixaram os idosos em um asilo. “Esse é o melhor lugar para vocês. Aqui não ficarão sozinhos. Não temos tempo para cuidar de vocês”, afirmaram e viraram as costas.

Triste? Chocante? Injusto? Poderia trazer inúmeros adjetivos para essa situação acima citada, que não é nada rara. Filhos abandonam pais de todas as idades, seja em asilos, em casa, ou até afetivamente. É um corte de laços que traz muita dor àqueles que um dia sacrificaram tempo, e se dedicaram tanto aos filhos.

Sobre os motivos que levam essas pessoas a abandonarem os pais, a psicóloga e neuropsiquiatra, Amanda Sales, explicou em entrevista ao ADNews que “As pessoas cada vez mais pensam apenas nelas mesmas. Uma pessoa que desde cedo não internalizou a regra de reciprocidade, onde estará, dentre outros, o sentimento de gratidão, será um adulto com sérias dificuldades nos relacionamentos. Especialmente naqueles que exigirão mais entrega, sendo esse o caso desses filhos que abandonam seus pais”.

A população está se tornando cada vez mais idosa. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2016, o número de idosos com 80 anos ou mais pode passar de 19 milhões em 2060. Boa notícia, visto que a expectativa de vida dos brasileiros tem aumentado. Mas o problema, é que nem sempre esses idosos conseguem o suporte que necessitam, seja da família ou do governo.

O artigo III, do Estatuto do Idoso garante que: “É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária”. O Estatuto do Idoso protege idosos a partir dos 60 anos.

Se o abandono afetivo já acontece por filhos que não respeitam, e nem querem mais a presença dos pais, estando eles ainda jovens, quando esses pais ficam idosos é muito mais comum ver esses filhos perdendo a paciência e os abandonando.

Este ano, o Brasil ficou chocado com o caso de um homem, Roberto Elísio Coutinho de Freitas, que foi pego em flagrante agredindo fisicamente e verbalmente à mãe de 84 anos. Nos vídeos, compartilhados em redes sociais, o homem verbaliza frequentemente, xingamentos à mãe que chora se perguntando o por quê de ele está agindo daquela forma. Ele segura fortemente o braço da mãe e diz para ela parar de chateá-lo. Ele reclama o tempo inteiro e diz que vai abandoná-la.  Após assistirem as imagens, milhares de pessoas se revoltaram e pediram a prisão do agressor. O homem foi preso e alegou problemas mentais.

Apesar de este homem afirmar várias vezes que não estava agredindo a mãe, as imagens provam o contrário. Para os efeitos de Lei, considera-se violência contra o idoso qualquer ação ou omissão praticada em local público ou privado que lhe cause morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico.

Diante de tanto sofrimento, esses idosos chegam a achar que o asilo é realmente a melhor opção para terminarem suas vidas. A companhia de pessoas desconhecidas, e o cuidado de voluntários acabam por se tornar o motivo de esperança e alegria de quem não sabe mais o que é ter uma família.

No caso do abandono afetivo, onde os pais não têm mais o amor dos filhos, mesmo que eles ainda morem dentro de casa, a dor do afastamento vai consumindo a mente daqueles que nunca entenderão as causas do abandono. É como valorizar e amar alguém que não dá a mínima importância. Alguém tão próximo que se tornou um desconhecido.

“O abandono é um dos lutos mais sofridos para qualquer indivíduo. Caso não seja devidamente elaborado, pode levar ao adoecimento mental, como quadros depressivo-ansiosos, por exemplo, assim como doenças psicossomáticas”, afirmou Amanda Sales.

Casos assim exemplificam o significado de ingratidão: Falta de reconhecimento. Filhos que abandonam os pais, que não ligam, que não demonstram amor, que não abraçam, que não dão nem um simples sorriso e, muito menos, revelam a gratidão por todo amor que receberam, um dia vão perceber que aqueles que tanto ignoraram, deixaram para depois, e não deram importância, são os que mais vão querer ao seu lado…Que não percebam tarde demais, quando os elogios e reconhecimentos não poderão mais ser ouvidos.

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* Publicado originalmente no Adnews 64 (Julho/2017).