Atendendo à minha vocação e ao meu chamado

Entrega teu caminho ao Senhor, confia n’Ele, e tudo Ele fará (Sl 37.5). Diante de um tema tão significante para a juventude cristã, devemos alinhar nossos pensamentos e opiniões com os princípios ensinados pela Palavra de Deus. Vamos, primeiramente, conceituar as duas palavras da matéria tratada, para uma melhor compreensão. Vocação é a tendência ou inclinação natural que direciona alguém para uma profissão específica, para desempenhar determinada função, para um trabalho, etc. Essa vocação pode ser literária, religiosa, musical, política, para uma liderança, entre outras. Um chamado divino é algo absolutamente espiritual, é uma convocação sublime para o desempenho de uma tarefa específica na obra do Senhor, para uma atividade eclesiástica ou secular que esteja essencialmente ligada à missão do Corpo de Cristo, que é a Igreja.  Na esfera espiritual, às vezes refere-se à vocação e ao chamado divino como se fossem a mesma coisa. É apenas uma questão de nomenclatura, não altera o cerne de nosso comentário.

Evidentemente, a vocação e o chamado são elementos que podem e devem ser usados em conjunto. Não se pode negar a supremacia da chamada divina sobre a inclinação natural, entretanto, jamais devemos subestimar o valor dos dons naturais que recebemos do Senhor. As habilidades inatas são extremamente úteis no desempenho das tarefas que Deus nos dá para realizarmos. Por exemplo, uma pessoa chamada por Deus para a obra missionária poderá usar suas habilidades musicais no campo de missões. Um homem chamado por Deus para o ministério pastoral terá a oportunidade de usar seus conhecimentos profissionais no desempenho de suas tarefas (Psicologia, Administração, Edificação, etc.).

Na questão da vocação natural, o jovem pode buscar um auxílio profissional, como, por exemplo, um teste de aptidão, estágios em algumas áreas específicas ou a busca por literatura que trate desse assunto. Às vezes, a vocação é hereditária, quando os pais incutem na vida dos filhos o amor por suas escolhas profissionais. A preferência por Ciências Exatas ou Humanas pode ser fundamental na escolha do caminho que um jovem deve fazer para seu futuro. Em tudo isso, é essencial a busca por uma direção divina, para que nossas alternativas sejam aprovadas e dirigidas por Deus.

A chamada de Deus para o serviço cristão não é de natureza humana, ela depende única e exclusivamente d’Ele, ratificada e executada através dos homens que Ele escolheu como seus representantes na Terra. Esse chamado se manifesta no desejo ardente de servir a noiva do Cordeiro, num espírito de humildade e dedicação à Obra do Senhor e na disposição em sofrer perdas por Cristo. A chamada prevalece sobre os desejos pessoais, sobre os projetos e as aspirações de uma pessoa. Muitos jovens sonham com a vida ministerial, mas consideram apenas o glamour da posição eclesiástica, o deslumbre dos holofotes imaginários das funções ministeriais. Não avaliam o peso da cruz e o alto preço exigido daqueles que se submetem aos desígnios de Deus em seu viver.

O jovem cristão deve submeter ao Senhor suas projeções futuras, suas decisões devem passar pelo crivo divino, para que receba as necessárias e indispensáveis orientações de Deus para sua vida. Deus tem um caminho para cada pessoa. O salmista Davi afirma no Salmo 139.16: “[...] no Teu livro todas essas coisas foram escritas [...]”. Ele afirmava que o passado, o presente e o futuro de uma pessoa estão no conhecimento divino, e que Deus é o responsável pelo progresso e pelas conquistas dos homens.

Busque ao Senhor no intuito de que Ele revele Sua vontade em seu viver. Ele certamente tem o melhor para a sua vida: “[…] eu sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais” (Jr. 29.11).

Ev. Josiel Soares

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* Publicado originalmente no Adnews 17 (Junho/2013)

A hora certa de deixar os filhos crescerem

A hora certa de deixar os filhos crescerem nos fala sobre a necessidade de respeitar o momento do despertar de uma autonomia individual, singular, que desponta no desenvolvimento humano.

Respeitar esse momento significa deixar que, no instante em que a criança, em sua tenra idade, sinaliza resistência e força para iniciar sua defesa, ela siga sozinha, ou minimamente com ajuda dos pais. Pois a superproteção inibe o crescimento dos filhos. Nesse sentido, é importante que os pais sejam sensíveis para perceber o chegar dessa hora.

O homem normalmente passa por um conjunto de etapas ou fases: o nascimento, a infância, a adolescência, a idade adulta, a velhice e a morte. Com base nesse contexto, entende-se que os filhos nascem e percorrem as etapas naturais da vida.

Lembro-me de quando meu primeiro filho nasceu e tive algumas dificuldades; uma delas foi querer superprotegê-lo. Porém, fui orientada a, apesar de ele ser um frágil bebê, não agir com exageros. O excesso de cuidados pode atrapalhar o desenvolvimento psicoemocional da criança. “Quem controla e vigia cada passo do filho tem uma insegurança excessiva, e isso não é bom nem para a criança nem para a família”, opina a psicopedagoga Maristela do Vale.

É importante educar uma criança entendendo que o desenvolvimento da autonomia acontece aos poucos, independentemente dos pais quererem ou não. Não educamos nossas crianças para nós mesmos e o impedimento da realização de algumas atividades pelos pequenos, como por exemplo, engatinhar sozinho, pode atrapalhar.

Especialistas da área dizem que aos dois anos de idade seu bebê deixa de ser bebê, para se tornar uma criança e, para tal, deve executar algumas tarefas que parecem simples, mas dão trabalho para aprender, como: comer segurando a colher sozinho, largar a fralda, organizar os brinquedos após brincar, vestir peças de roupas sozinhos, calçar chinelos e sapatos. Isso gera autonomia com seus pertences pessoais. Cabe aos pais estimular essas e outras atividades paulatinamente. Infelizmente, muitas vezes, o filho cresce, e os pais não percebem.

“… É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. […] elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância” (Affonso Romano de Sant’Anna).

É importante lembrar que o crescimento é um processo natural, que, independentemente do querer ou não, ele acontece, trazendo junto novos desafios e benefícios. A criança que não foi ensinada sofrerá perdas importantes e terá que fazer maiores esforços para dar conta das naturais demandas do viver.

Na Bíblia Sagrada há uma expressão que diz: “Tudo tem o seu tempo determinado…” (Ec 3.1a). Nessa expressão vemos que Deus estabelece ciclos para a vida, e em cada um deles há um propósito que devemos cumprir; cada coisa tem sua ocasião. Significa dizer que cada mudança concernente ao ser humano, em seu tempo e estação, é inalteravelmente fixada e determinada por um poder supremo. Existe uma harmonia maravilhosa nas coisas que Deus criou; de modo que, quando os acontecimentos vêm, consideramos suas relações e tendências junto a suas fases, tornando-as mais fáceis e agradáveis de serem vividas. Assim, compreendemos que não são os pais que determinam a hora do crescimento de seus filhos, mas o ciclo natural da vida. Os pais não o podem acelerar nem tornar essas fases lentas, apenas possuem como tarefa acompanhá-las, buscando a sabedoria divina.

Alguns estudiosos entendem que quando os pais tentam interromper ou acelerar o crescimento dos filhos, eles precisam refletir sobre sua própria vida, projetos e frustrações. Experiências vividas não podem prolongar a dependência dos filhos ou acelerar sua independência.

Papalia, Olds e Feldman (2006), cientistas estudiosas do desenvolvimento humano, afirmam que devemos educar os filhos e deixá-los ir, ou seja, crescerem, caminharem com suas alegrias e frustrações. Isso contribuirá para sua autonomia e seu consequente crescimento saudável.

Rosângela Medeiros

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* Publicado originalmente no Adnews 18 (Julho/2013)